quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O CRUZEIRO LIGOU O PILOTO AUTOMÁTICO. MAS E SE TIVESSE MATA-MATA?



O Cruzeiro já é o campeão brasileiro de 2013. Há rodadas. Não que o técnico Marcelo Oliveira tenha um time espetacular ou imbatível nas mãos, até porque sua equipe perdeu jogos considerados "imperdíveis", contra São Paulo e Coritiba, por exemplo (contra o time paulista, então em má fase e que não ganhava de ninguém, perdeu por 2 x 0 dentro do Mineirão). Mas certamente o time mineiro é o que menos desperdiçou pontos neste Campeonato Brasileiro nivelado por baixo.
Mas seria incoerente afirmar que um time com 70% de aproveitamento não possui seus méritos. Sim, o Cruzeiro pode até não ter um time com valores individuais brilhantes, mas tem um conjunto forte, entrosado, com padrão de jogo, organizado e ajustado taticamente, bem acertado dentro de campo. E que não mudou sua forma de jogar atuando dentro ou fora de seus domínios.
Equipes como o Internacional, por exemplo, que no papel possui mais jogadores de qualidade do que o Cruzeiro, naufragou precocemente com um futebol bem aquém daquilo que se esperava e que podia render. No caso dos colorados, um bom time que o técnico Dunga conseguiu estragar com seu conceito retrógrado de futebol. O Fluminense, atual campeão nacional, também mostrou dentro de campo exatamente o que não se esperava da equipe, e beirou a zona de descenso por várias rodadas. E o Corinthians? Com toda pompa e circunstância de atual campeão do mundo, apontado pela grande maioria dos cronistas como o favorito e o time a ser batido, mas que em nenhum momento conseguiu ser eficiente como na temporada passada e que corre risco de rebaixamento a oito rodadas do fim do campeonato. Mais: o time do técnico Tite, tão elogiado, sequer consegue fazer gols. E alguém imaginava que o São Paulo passaria boa parte do torneio fugindo do rebaixamento?
Pois é, o Cruzeiro é campeão mais pela incompetência dos demais do que por seus próprios e, de qualquer maneira, merecidos méritos.
Mas e se o Brasileirão voltasse a ser decidido nos mata-matas? Será que o Cruzeiro seria campeão?
Podemos relembrar como exemplo o último Brasileirão realizado com essa fórmula, o de 2002. Dentre os 8 melhores colocados na 1ª fase, o Santos classificou-se em 8º lugar e na bacia das almas. Enfrentou de cara o São Paulo, que chegou em 1º lugar com ampla vantagem de pontos sobre o 2º colocado, exatamente na mesma condição em que se encontra hoje o Cruzeiro. O time de meninos comandado por Diego e Robinho venceu as duas partidas contra o embalado time do Morumbi liderado por Kaká, Reinaldo e Luis Fabiano. 3 x 1 na Vila Belmiro e depois 2 x 1 no Morumbi. Sempre em desvantagem por ter se classificado em 8º lugar, o Santos também despachou o Grêmio de Danrlei e Rodrigo Fabri, até ser campeão brasileiro sobre o forte time do Corinthians, de Vampeta, Guilherme, Kleber e Fabio Luciano, vencendo as finais por 2 x 0 e 3 x 2 no Morumbi.
Curiosamente, se o campeonato acabasse hoje, novamente o Santos estaria em 8º lugar e enfrentaria o Cruzeiro. Não creio que o atual time do Santos pudesse eliminar o time mineiro num eventual mata-mata, mas no futebol o imponderável as vezes prevalece. E o Cruzeiro já demonstra fadiga neste fim de Brasileirão. O que se vê é o piloto automático no comando, pela boa vantagem adquirida até aqui sobre os demais, porém não mais aquele time concentrado e obstinado de antes. Mais um exemplo, agora dentro da atual temporada? O mesmo Cruzeiro, que caminha a passos largos para o seu 3º título brasileiro, foi eliminado pelo Flamengo nas oitavas-de-final da Copa do Brasil, mesmo jogando por um empate na partida de volta disputada no estádio do Maracanã. Ou seja, o time mineiro é bom, acima da média neste Brasileirão, porém longe de ser imbatível. Num eventual mata-mata, poderia sim ser eliminado como foi na atual Copa do Brasil, e por um time no máximo "esforçado" como é o caso do Flamengo.
Portanto, qualquer equipe dentro do G8 poderia sim ser campeã. Porque no mata-mata a pegada é outra, a motivação é outra, as forças se renovam e começa um outro campeonato.
Ouço muita gente falar sobre a emoção dos mata-matas em detrimento dos pontos corridos. Inclusive cronistas e comentaristas esportivos da grande imprensa. Até concordo, especialmente pela competitividade. Mas nenhuma fórmula consegue ser mais justa do que a de pontos corridos, que sempre premia o time mais regular e vitorioso com o troféu e rebaixa os piores. Por tabela, também premia o melhor planejamento, o melhor treinador, a melhor preparação, o elenco mais bem montado e a defesa mais segura. E a inteligência por desperdiçar o menor número de pontos.
Contra fatos e dados não há argumentos.

2 comentários:

Nayana A. Peres disse...

Parabéns pelas palavras sensatas e inteligentes. Pontos corridos nunca terá a emoçao do mata-mata. Uma pena.
Fã do Blog, fã do autor. Parabéns!

Beijos!

Adriano Oliveira disse...

Concordo, porém o mata-mata nunca será justo como os pontos corridos. Já temos torneios como regionais, Copa do Brasil e Libertadores no formato de mata-mata e acredito ser positivo o Brasileirão premiar os times de melhor campanha e regularidade. Obrigado!