segunda-feira, 19 de agosto de 2013

SÃO-PAULINOS E SANTISTAS À BEIRA DO PRECIPÍCIO

Quando a fase é ruim, nada parece dar certo. Aquela bola que bate caprichosamente na trave, aquela defesa "indefensável" do goleiro adversário, aquele "frango" de seu goleiro, aquela reposição de bola errada, o pênalti que o goleiro rival pega com facilidade, o passe no meio de campo que sai errado e que resulta no gol do time adversário em jogada de contra-ataque, enfim, o time não consegue sair do lugar. E quando finalmente o seu time ganha uma partida, todos aqueles times que estão junto com ele na tabela também ganham. E quando esses outros times perdem, o seu time também perde. E perde aquele jogo teoricamente fácil e dentro de casa. Aos poucos o campeonato se afunila e o desespero começa a bater. Pressão da imprensa e da torcida. Os poucos torcedores que ainda acreditam numa reviravolta e que ainda comparecem ao estádio, começam a perder a paciência. Geralmente os mais veteranos são os mais cobrados, assim como os treinadores. Há clubes que trocam várias vezes de técnico na mesma temporada e mesmo assim os resultados não surgem. Nos bastidores, a oposição não abre mão de instalar uma crise política, ameaçando até com a possibilidade de "impeachment" dos atuais mandatários. Enquanto isso, em meio à turbulência fora de campo, as coisas deixam de funcionar de vez dentro de campo. Aquele jogador contratado a peso de ouro joga a toalha. E quando o saldo negativo de gols começa a aumentar é porque a coisa realmente está ficando feia. O time não consegue mais produzir e logo passa a não depender somente de si para evitar um eventual descenso.
Há times que decidem disputar um longo e competitivo Campeonato Brasileiro tentando formar uma equipe. Sim, exatamente. Se desfaz de seus principais jogadores, de seu craque, e acreditam que os garotos que são alçados das categorias de base vão resolver todos os problemas rapidamente e que, mais rápido ainda, despertarão o interesse de clubes milionários da Europa. Afinal, essa é a tradição. E nada mais coerente que o mais novo time de "jovens estrelas" seja treinado por um técnico que, até ontem, estava junto com esses meninos na base. Dispensam um treinador que recebia um salário altíssimo e efetivam um estagiário com 5% dos vencimentos do antecessor. Ou seja, uma "jogada de craque" dos dirigentes.
Há outros times que resolvem se reciclar. De "clube-modelo" passam a querer experimentar o lado B do esporte. Afinal, experiências novas podem ser interessantes. O time, no papel, até que é bom. Tem zagueiro veterano pentacampeão mundial, uma promessa de camisa 10 da seleção para a próxima Copa do Mundo, jogador velocista que se acha de seleção, atacante polêmico que não gosta de jogos decisivos e até veterano goleiro-artilheiro acusado de paneleiro. Mas o time não consegue empolgar e emplaca a sua maior sequência sem vitórias da história. Troca de técnico como se troca de uniforme (e num passado recente se orgulhava por não adotar tal postura). A torcida não comparece e o enorme estádio fica às moscas. O patrocinador reclama que o patrocínio ficou caro. E o presidente do clube passa a dar vexame em "churrascos" na sede do clube. Afinal, "time grande não cai", então por quê não uma boa churrascada entre os dirigentes?
Um dos técnicos, aquele que até ontem treinava a base e agora acredita ser capaz de treinar medalhões misturados com meninos, disse que "não crê em rebaixamento". Mas já temos 1/3 do torneio disputado e é hora de começar a abrir os olhos. Porque o rebaixamento existe sim. E quando passar a crer nisso pode ser tarde demais.
Olha aí o Palmeiras para quem não crê. E pela segunda vez em 10 anos.

2 comentários:

Nayana A. Peres disse...

Parabéns pelo texto e pelo blog!
Está maravilhoso!
Sensato e mesmo na "familia" sabe que as coisas não andam nada bem e que algo precisa ser feito com urgência.
De pouco em pouco, a 2ª divisão está mais perto.

Mas acredito fielmente em uma mudança no SANTOS. A torcida merece, e a história do time muito mais!

Beijos!

Adriano Oliveira disse...

A atual diretoria santista está acumulando erros crassos de administração. Sempre acreditei que o segredo do sucesso no futebol está nas categorias de base, na formação de jogadores, mas a qualidade técnica é determinante para o êxito. Nem sempre a safra tem qualidade suficiente para ser lançada no meio de um Campeonato Brasileiro. Obrigado sempre!! Beijos!