segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

CENI x VALDÍVIA RETRATA A VELHA E BOA RIVALIDADE

Rogério Ceni tenta "barrar" Valdívia durante a comemoração de seu gol

Há tempos o futebol vem se tornando uma coisa chata. Aliás, como quase tudo neste mundo. Sou contra todo e qualquer tipo de violência, claro, mas tem coisas que extrapolam os limites do bom senso. Não se pode mais fazer ou falar quase nada nos dias de hoje. Tenho certeza que, se estreasse hoje na televisão, o seriado mexicano "Chaves" certamente seria censurado por bullying.
Me lembro de dois casos inusitados a respeito que aconteceram há pouco tempo, no Campeonato Brasileiro de 2012. Dois jogadores levaram cartão amarelo por "comemorar" seus gols. E não foi porque tiraram a camisa. Não fizeram isso.
No jogo Coritiba 1 x 2 Santos, no estádio Couto Pereira, Neymar foi vítima de insultos e xingamentos por toda a partida, razão do recalque de torcedores adversários. As vaias eram constantes ao então atacante santista, que estava bastante apagado em campo. Só que, no 2º tempo, Neymar fez 2 gols, um deles driblando cinco jogadores antes de finalizar. Um golaço. E saiu comemorando em direção à torcida santista, porém retribuindo com gestos às provocações que recebeu das arquibancadas. Levou cartão amarelo. Ou seja, o jogador é xingado e vaiado a exaustão o jogo inteiro e não pode comemorar seus gols fazendo um simples gesto de "não ouvi" para a torcida que o pilhou. Foi punido por isso.
No mesmo Brasileiro, no clássico Palmeiras 0 x 2 Corinthians, no Pacaembu, o alvo foi o atacante Romarinho. Considerado o algoz do time verde, o atacante corintiano fez o 1º gol do jogo e foi comemorar diante da torcida palmeirense, beijando o escudo de sua camisa. Tal atitude provocou a ira de parte da torcida e de alguns jogadores do Palmeiras. Após uma breve confusão, Romarinho também foi "punido" com cartão amarelo.

A última dose de mesquinhez veio agora no clássico Palmeiras 2 x 0 São Paulo, pelo Campeonato Paulista deste ano, no mesmo Pacaembu. Todo mundo que acompanha futebol sabe que Rogério Ceni e Valdívia são desafetos praticamente declarados. Tudo começou no Paulista de 2008, quando ambos se estranharam após um gol do chileno que eliminou a equipe de Ceni da fase final do torneio. O gesto de "cala boca" direcionado ao ídolo e goleiro são-paulino rendeu ao meia palmeirense um "esfregão" no rosto. Já neste último confronto, Valdívia abriu o placar para seu time com um gol de cabeça. Saiu para comemorar em direção à sua torcida quando, de repente, inverteu de lado e fez questão de passar em frente ao goleiro do São Paulo com o punho em riste, feliz da vida, provocativo, irritante, com seu inigualável e enorme sorriso. Rogério, irritado, tentou acertar o chileno com o pé, porém sem êxito. De tabela acabou dando um "encontrão" em outro palmeirense, Alan Kardec, que corria logo atrás de Valdívia.
Pouco para rapidamente "esquentar" as redes sociais com discussões desnecessárias e pontos de vista equivocados, nada futebolisticamente corretos.
Valdívia se sentiu no direito de, mais uma vez, provocar seu desafeto e rival Rogério Ceni após o gol. Que se sentiu no direito de tentar "atrapalhar" essa comemoração com tom claro de provocação. Nada mais do que isso. E as farpas entre os dois vão acontecer cada vez que se encontrarem dentro de campo. Contudo, já tem gente querendo levar a julgamento a "tentativa de agressão" de Rogério em Valdívia. Pois é.
Quem joga ou já jogou futebol está cansado de saber que esse tipo de coisa acontece desde que o futebol existe. E que essa essência não vai mudar, mesmo com os "adoradores de fair-play" ou os "donos da moral e dos bons costumes" de plantão se manifestando indignados a cada cena normal como essa dentro das quatro linhas, ávidos por alimentar picuinhas ou despejar suas regras em qualquer oportunidade. Do jeito que as coisas andam, daqui a pouco vão querer proibir a torcida de gritar gol, de modo a não "provocar" a torcida adversária do outro lado.
Tenho saudade da época das declarações polêmicas, das piadas, das trocas de farpas entre jogadores e dirigentes, das frases de efeito, das provocações públicas, das coreografias depois dos gols, das dancinhas, de caçoar do rival, de se ter o direito de comemorar um gol, uma vitória, uma decisão e até um rebaixamento do time adversário. Tudo de forma saudável e civilizada, com alegria e deboche, como sempre foi e tem que ser.
Futebol é isso, é pura rivalidade, é tiração de sarro, é gozação. Se não puder mais ser assim, vira jogo de tênis e perde toda a graça.

2 comentários:

João Paulo disse...

Lembra do Viola imitando um porco em sua comemoração num Palmeiras X Curitia? (Palmeiras campeão, diga-se de passagem). E dos jogadores palmeirenses que entraram em campo com os cabelos verdes? kkkk
Realmente, antes as provocações eram um "algo a mais" no prazer de assistir futebol. Tudo bem que muitas vezes terminava em pancadaria, né...
E outra, qto ao lance do Ceni e o Valdivia: Se o Valdivia cismar de dar uma mordida na mão do Ceni ele perde até o braço. O dente do cara parece uma armadinha de pegar onça...

Adriano Oliveira disse...

Claro que lembro..rs No 2º jogo das finais, o Palmeiras campeão e a torcida palmeirense gritava: "Chora, Viola! Imita o porco agora!"... Quando o Paulo Nunes usou a máscara do porco com uma tarja da bandeira japonesa em alusão à final do Mundial Interclubes de 1999.. Não há nenhuma dúvida de que o futebol era bem mais empolgante, mais divertido, mais prazeroso. Futebol é isso. Valeu, abraços!