sábado, 11 de outubro de 2014

OS DOIS TOQUES DO PANGARÉ


Futebol é bola na rede desde que o mundo é mundo. Há inúmeras teorias sobre o tal do futebol moderno. E citam exemplos daqui e dali, e de seleções que deram "aula de futebol" na última Copa do Mundo, aqui em nosso quintal. Só quem joga ou já jogou consegue entender que o futebol é, essencialmente, "jogar bola". Simples assim. Sem surpresas ou esquemas táticos mirabolantes. Defender e atacar, porém sempre em função do gol.
E todo time possui um jogador com essa função tão primordial e que deixa sua torcida feliz da vida: fazer mais gols do que seu time levar. Esse jogador está ali para isso. Somente para isso.
Esses não são necessariamente jogadores de futebol. São boleiros. Uns chamam de centroavantes. Alguns podem até ser chamados de "pangarés" por dirigentes ávidos pelos holofotes da mídia, porém que mais atrapalham do que colaboram. Mas e daí? Seja qual for a alcunha que lhes destinarem, eles estão ali para fazer gols. Dar, no máximo, dois toques na bola e correr para o abraço, ovacionados pela torcida. Muito mais importantes do que o dirigente que, na maioria das vezes, nunca chutou uma bola na vida.
Se for num jogo decisivo ou valendo o título, o pangaré certamente entra para a história do clube. Sim, alguns deles têm estrela. É no clássico que o pangaré gosta de mostrar sua cara. Até porque fazer gol contra uma equipe inexpressiva ou quando o jogo já está 2 x 0 ou decidido, nem tem tanta graça assim.
Seja na era do futebol moderno ou de trinta anos atrás, o pangaré existe e sempre existiu. Só que, para ser reconhecido como tantos outros de sua espécie no futebol, ele precisa ser generoso, solidário, jogar para o time sempre. Exatamente como se faz no rachão ou na várzea. Aquelas jogadas de efeito, os dribles, as tentativas de fazer gol de bicicleta ou de placa, devem sim continuar existindo, porém quando não houver outra opção de jogo. O espírito de equipe tem que ser sua premissa básica. No Barcelona ou na Chapecoense, jogar para o time é fazer o simples, o eficiente, sem querer inventar, fazer aquilo que normalmente funciona muito bem. Sem vaidades ou acreditar que seja um Ibrahimovic, quando na verdade ele é só mais um pangaré.
O preço do glamour pode ser caro demais para esse jogador que, assim como tantos outros, só está ali para fazer gols, estufar as redes. Mais nada.
O pangaré não pode se preocupar em jogar o chamado "futebol total" que tanto cobram dele. Se der para ajudar na marcação, ótimo. Se voltar dando carrinho no meio de campo, excelente. Afinal, jogar para a torcida é tão fundamental no Macaranã como no campo de terra batida da várzea. Mas sua preocupação tem que estar ali, dentro da área empurrando a bola para dentro, fazendo gol e decidindo os jogos, seja um golaço de bicicleta ou um gol de canela, de bunda, desajeitado, quase caindo ou caído. Gol é sempre gol.
O pangaré jamais será o pensador, o craque do time. Mas será sempre importante, fundamental, seja qual for o esquema tático ou a camisa que veste. Todo time precisa de um. Toda torcida quer um pangaré em seu time. Mas desde que seja artilheiro, goleador, atrevido, perigoso, trombador, temido pelos zagueiros adversários, a chance iminente de vitória, a esperança da bola na rede. Mesmo não jogando nada, o pangaré é aplaudido e apoiado se fizer os gols que seu time precisa. Se for o artilheiro do campeonato, cai definitivamente nas graças da torcida.
Se jogar mais bola e deixar de tentar compreender e se adaptar ao tal do futebol pragmático e de resultados, o pangaré pode ser o grosso que dá certo. Aquele que dá no máximo dois toques e corre para comemorar. E que toda torcida gosta de ter um em seu time.

2 comentários:

Anônimo disse...

Bom texto. Mas tente se repetir menos ou fica cansativo para ler.

Adriano Oliveira disse...

Ok, obrigado pela visita.