quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O GOVERNO REELEITO E O FUTEBOL


Das coisas menos importantes da vida, o futebol é a mais importante.
Estranho é saber que a influência que exerce na sociedade é tão intensa, porém bastante desproporcional à seriedade de quem o conduz no Brasil, sejam eles dirigentes, empresários ou quem ganha -muito- dinheiro através de sua exploração comercial.
Pois bem. Futebol tem a ver com política? Sim, claro que sim. Afinal, a esmagadora maioria dos políticos tem uma bandeira em comum: “é preciso estruturar e democratizar o esporte”. Perfeito.
No entanto, durante toda a longa campanha eleitoral que se passou, nenhum candidato falou sobre o futuro do futebol brasileiro de forma consistente, mesmo pouco tempo depois do vexatório 7 x 1 para a Alemanha dentro de nosso quintal. Nem mesmo os candidatos que foram derrotados ainda no 1º turno.
Neste caso, onde estavam, ou no caso do governo reeleito, onde estão as propostas concretas para um esporte que, sabe-se há décadas, “é uma ferramenta de inclusão social”?
Sendo o futebol um negócio altamente lucrativo e principalmente privado, é claro que há um limite para a ingerência do Estado em atuar na remodelação de toda sua estrutura. Mas de que forma o poder público pode, pelo menos, ajudar a melhorar? Onde está o projeto dos governantes que visa contribuir para a renovação e a mudança do conceito de gestão do futebol nacional?
Existem medidas em pauta que podem contribuir para que clubes menores estejam em atividade durante toda a temporada?
Onde está a proposta de implementação de um novo modelo que culpe legalmente os dirigentes por danos financeiros causados aos clubes por administrações irresponsáveis?
Não poderia ser criado um mecanismo de incentivo aos clubes formadores de novos talentos nas categorias de base?
Qual o método eficaz que pode ser adotado pelas autoridades para punir marginais que vão aos estádios somente para promover a violência?
O que será efetivamente feito para que o torcedor do bem se sinta seguro e possa voltar a freqüentar os estádios num domingo a tarde com sua família?
Hoje os clubes possuem dívidas gigantescas, meses de salários atrasados, pendências jurídicas e trabalhistas, sobrevivem às custas da antecipação de cotas de televisão das próximas temporadas, quase beirando a falência. Clubes que já foram modelos de gestão hoje passando apuros para honrar seus compromissos. Os índices de audiência caindo e os estádios mais vazios.
E mesmo assim, o futebol ainda se mantém economicamente forte e viável, do jeito que está. Será que o governo não pode fazer algo para tentar ajudar a reverter esse cenário?
Mas se os candidatos não apresentaram projetos de governo reformuladores em temas essenciais como educação, saúde e segurança, o que dirá sobre o futebol, mesmo reconhecendo, desde sempre, sua grande parcela de colaboração na construção de valores e de cidadania para crianças e adolescentes.
A campanha eleitoral acabou, Dilma Rousseff foi reeleita presidente da República. É hora de começar a pensar nos próximos quatro anos. Mesmo que o futebol ainda seja, das coisas mais importantes para se pensar, a menos importante.

2 comentários:

Nayana A. Peres disse...

É triste ver promessas sendo feitas e não cumpridas. Pior ainda é o esquecimento. Depois de um evento tão significativo como a copa do mundo (onde, lembrando, certa candidata foi vaiada), nada se falou de forma significativa. Um povo tão apaixonado por esse esporte merecia uma boa proposta (com a intenção real de ser colocada em prática). Parabéns pelo texto. Parabéns pelo blog!
Beijos.

Adriano Oliveira disse...

A maioria dos políticos usa o futebol como plataforma eleitoreira e com as "melhores intenções", porém nenhum deles sequer apresentou um projeto concreto sobre o assunto, nem de forma superficial. Obrigado! Beijo.