quinta-feira, 6 de novembro de 2014

O SANTOS, O FLAMENGO E A LÓGICA


O Cruzeiro é um time muito bom, bem acima da média. Tem seus momentos de "piloto automático", dá alguma chance ao azar, mas continua sendo o time que mostra o melhor futebol do país desde a temporada de 2013. Bem treinado, coeso, consciente, aquele time que acredita que pode fazer um gol a qualquer momento, quando bem entender. E faz. Porque espera o momento certo, tem paciência e um toque de bola preciso, envolvente. Seus talentos individuais sabem se organizar taticamente, o tempo todo.
O Atlético-MG é talvez o time do futebol mais empolgante da atualidade, mesmo que isso não tenha tanta explicação. Enquanto seu rival azul é um time regular e eficiente, o time alvinegro de Levir Culpi é irreverente, audacioso, quase irresponsável quando precisa vencer. E faz isso a qualquer custo, mostrando capacidade de superação. Afinal, não é normal duas viradas épicas seguidas, como fez o Atlético-MG. Eliminar Corinthians e Flamengo, dois times de massa, nas mesmas circunstâncias, revertendo um placar adverso de 2 x 0 no jogo de ida com duas goleadas por 4 x 1 no jogo de volta? Não, não é normal. É incrível, traduz a verdadeira essência do futebol: jogar bonito, para frente, com ousadia, alegria. Futebol de verdade. E não apenas "jogar para o gasto, para classificar, para pontuar" (mas ok, futebol feio também dá resultados e ganha títulos. Temos muitos exemplos assim. E tem quem goste).

Santos e Flamengo foram eliminados nas semifinais da Copa do Brasil por Cruzeiro e Atlético-MG, respectivamente. Para ambos, o ano acabou. Sem "milagres". Na realidade, chegaram até além do que seus torcedores poderiam imaginar.
Enquanto o Cruzeiro tem um elenco forte, bem postado em campo e seguro, o atual time do Santos tem dois ou três jogadores de qualidade que sabem o que fazer com a bola, porém cercados por outros que insistem em chutá-la para longe, sem nenhum talento nem sorte. Dessa forma, louvável chegar às semifinais da Copa do Brasil e jogar de igual para igual diante de um adversário bem superior. Contudo, impossível não levar gols.
Quanto ao Flamengo, foi eliminado pela melhor fase do Atlético-MG nos últimos 40 anos, que nessa Copa do Brasil reedita o que fez na Copa Libertadores do ano passado. Páginas de uma história que o torcedor atleticano tanto esperou para vivenciar, estufar o peito e comemorar. E nem Mano Menezes ou Vanderlei Luxemburgo poderiam atrapalhar feitos como esse, momentos como esse.
Cruzeiro e Atlético-MG jogam hoje o futebol mais consistente e vistoso do Brasil, nessa ordem. Santos e Flamengo são times que se empolgaram e lutaram para tentar mudar a lógica. Mas o talento quase sempre prevalece.
Ao invés de procurar culpados pelo revés, por que não reconhecer e, principalmente, enaltecer os méritos do adversário?

2 comentários:

Victor disse...

Reconhecer a superioridade do adversário foi justamente o ponto principal da entrevista do Luxemburgo ontem, no entanto eu acredito que alguns fatores contribuíram para o feito atleticano acontecer :
1- Em um elenco limitado como o do Flamengo, a ausência de três peças faz muita diferença.
Léo Moura : experiência, habilidade, capacidade de sair jogando e acalmar as coisas quando necessário que fizeram muita falta para suportar a pressão mineira, é só o capitão do time rubro negro ...
Gabriel : Vive grande fase, veloz e habilidoso, seria uma arma fundamental para o ataque carioca, aliás contra ataque pois foi a tática utilizada.
Alecsandro : Atacante de área não mais que mediano, mas seu substituto de fato como homem de área sequer tem capacidade para ser titular em sua ausência, Élton é um atacante fraco tecnicamente para ser generoso, lento e sem poder de conclusão, que nem ao menos conseguiu prender a bola no ataque ou fazer a função de pivô com o mínimo de qualidade para assim tentar minimizar a pressão mineira.
Além dessas três ausências de fato, outro jogador fundamental haja visto que foi o autor do gol que deu uma falsa esperança a Nação, o Éverton também não estava bem fisicamente,pois tentou se recuperar as pressas de uma contusão para ajudar o time.
Ajudou como pôde mas seu cansaço o impediu de continuar em campo.
Como torcedor apaixonado, é quase impossível resistir à tentação de criticar o treinador pelas substituições "mal" feitas, que recuaram ainda mais o time e acabaram com o pequeno ímpeto ofensivo que contribuía para um jogo ao menos um tanto mais equilibrado, contudo preciso refletir : Se fosse eu, ali em frente ao banco de reservas, teria feito o que ...

Adriano Oliveira disse...

O raciocínio é mais ou menos assim: de cada dez partidas, esse Flamengo venceria quantas desse Atlético-MG? Três, quatro? Talvez duas vitórias e dois empates? Não há material humano equivalente. O ônus da eliminação é se abdicar do Campeonato Brasileiro para disputar a Copa do Brasil e sofrer o revés. Ao Santos mais ainda, que deixou de lucrar com as semifinais ao preterir o Pacaembu pela Vila Belmiro, atendendo a um pedido dos atletas. Em relação a Santos x Cruzeiro, a disparidade técnica entre as equipes é notória. Cicinho e Rildo, por exemplo, só para citar dois, não tem nenhuma condição de decidir uma partida importante contra uma grande equipe como a do Cruzeiro, e menos ainda de jogar com a camisa do Santos.