domingo, 21 de abril de 2013

SETE ANOS SEM O MESTRE TELÊ SANTANA

 

Não vi Telê Santana jogar. Mas felizmente tive o privilégio de vê-lo trabalhar como treinador. E com certeza um dos treinadores mais respeitados da história do futebol, ao lado de nomes como Rinus Michels, Johan Cruijff ou sir Alex Ferguson. E também Pep Guardiola, mais recentemente.
Telê Santana treinou a seleção brasileira de 1982, que não conquistou a Copa da Espanha, mas que encantou o mundo da bola. 10 anos mais tarde faria o mesmo novamente, dessa vez conquistando todos os títulos possíveis com o time do São Paulo. Me lembro perfeitamente de uma frase sua após uma partida do São Paulo, em 1993 ou 1994, onde sua equipe jogou bem mais que o adversário, porém perdeu. Ele disse: "Prefiro ver meu time perder a jogar mal". Sensacional.
Natural de Itabirito, em Minas Gerais, Telê Santana faleceu em 21 de abril de 2006, aos 74 anos. Como jogador se destacou no Fluminense, onde atuou por 9 anos seguidos, entre 1951 e 1960. Mas foi na carreira de técnico que ganhou projeção internacional. Fazia questão de impor a qualidade técnica nos times que treinava, sempre privilegiando os passes em velocidade e a posse de bola, na busca constante pelo gol durante os 90 minutos. Destacam-se suas passagens como treinador por Atlético-MG (nos anos 70), seleção brasileira (anos 80) e São Paulo (anos 90).
Telê foi o único treinador a dirigir a seleção brasileira em duas Copas do Mundo seguidas mesmo sem ter conquistado a primeira (na Espanha, em 1982, e México, em 1986).
Mestre Telê amava o futebol. Dentro de campo estava em casa, seja como jogador ou como treinador. E ensinava a exaustão especialmente os fundamentos básicos, como passe e cruzamento, por exemplo.
Em 1996 foi vítima de uma isquemia cerebral e teve que encerrar a carreira como técnico, principalmente para atender aos pedidos da família. Debilitado, tinha visíveis problemas de fala e locomoção.
Cerca de um ano depois, próximo ao fim do ano de 1997, eu enviei uma carta para sua residência em Belo Horizonte, desejando-lhe saúde e recuperação, e também o parabenizando pela brilhante carreira como treinador e dizendo ainda que a seleção de 1982 e o São Paulo de 1993 foram dois dos melhores times que eu vi jogar como boleiro apaixonado. Para minha surpresa, dias antes do Natal recebi a resposta do Mestre Telê, me desejando um ano de 1998 "com muita prosperidade" e um abraço de "amigo" com assinatura em caneta esferográfica, sobre sua fotografia vestindo a camisa do São Paulo.
Saudades do mestre Telê. O futebol também deve sentir saudades.

2 comentários:

Nayana A. Peres disse...

Parabéns. Ótimo texto.
E a carta respondida é privilégio de poucos, certeza rs.
Telê Santana é sem dúvida o ídolo de muitos. Um exemplo na paixão e dedicação. Sorte do nosso futebol.
Homenagem muito bonita.
Beijos!

Adriano Oliveira disse...

Achei que era preciso uma palavra de conforto num momento de dor e então decidi enviar a carta. E gostei muito de ter sido retribuído, especialmente vindo de quem veio. Mas tenho certeza que a dor causada pela doença só não foi maior do que a dor por ter que abandonar o futebol que ele tanto amava.