segunda-feira, 4 de abril de 2016

NOS CLÁSSICOS, UM PALMEIRAS QUE CANTA, DANÇA E VIBRA

*por Adriano Oliveira


A maioria dos palmeirenses não é ingênua e sabe que o time é limitado, que a eliminação da Copa Libertadores na fase de grupos é algo iminente e que Cuca não será o salvador da pátria a curto prazo. Afinal, o ex-técnico Marcelo Oliveira não deixou nenhum legado a não ser um estoque de "chuveirinhos" que nem o mais otimista torcedor acreditou que daria certo sempre. Mas vencer o Corinthians, com drama e sofrimento, faz esquecer o que ficou para trás.
As derrotas para Red Bull, Nacional, Ferroviária e a goleada do Água Santa não eram resultados esperados, mas eram assimilados e naturais aos olhos de quem assistia. E poderia ser pior, já que o time sequer mereceu a vitória em casa sobre o argentino Rosario Central, um jogo de futebol ao melhor estilo dos filmes de Rocky Balboa. Um tropeço naquela partida e a equipe já estaria fora da Copa Libertadores.
Os clássicos são verdadeiros antídotos anti-crise para o palmeirense. Porque o Palmeiras dos clássicos é outro time. Mais concentrado, mais motivado, que não admite perder. Especialmente no caso do dérbi contra o Corinthians, seja em Itaquera, no Allianz Parque ou no Pacaembu.
A vaga para os mata-matas do Campeonato Paulista não está decidida. Mas o Palmeiras venceu o Corinthians pela 14ª rodada. Por um placar magro, sofrido, como nos melhores momentos da história recente da Titebilidade.
Cuca não fez milagre. Sabia que jogaria contra um adversário temido, já classificado, porém não menos determinado a vencer o duelo. Com a bola rolando, o que se via era um Corinthians no mínimo diferente do normal, não conseguia manter a posse de bola e abusava do excesso de faltas. O Palmeiras tinha o controle e comandava a partida.
Mas veio o segundo tempo e, num lance isolado do apático ataque corintiano, Thiago Martins fez pênalti no meia corintiano Giovanni Augusto, que tanto conhece o professor Cuca. O bom e jovem Lucca seguiu o conselho do bom e velho Fernando Prass. Nervoso, bateu no canto direito sugerido pelo goleiro, que defendeu mais uma penalidade. Será um prenúncio para a canonização de mais um santo no gol alviverde?
O gol da vitória veio de uma jogada manjada dos palmeirenses: a bola aérea.
Egydio cobrou falta na lateral, Zé Roberto desviou e, num embate que lembrou David x Golias, o baixinho e valente Dudu fechou os olhos e cabeceou antes da chegada do gigante Cássio. Palmeiras 1 x 0 Corinthians.
A "água santa" que benzeu o time de Cuca uma semana antes para o clássico contra o Corinthians também pode animar e fazer surgir um sopro de esperança para a sequência da equipe na Copa Libertadores. Afinal, perder para a Ferroviária por 2 x 1 ou vencer o Rio Claro por 3 x 0 podem não ser considerados parâmetros para o que vem pela frente na temporada. Por outro lado, vencer os rivais nos clássicos sim, é uma referência e uma marca de um time que não encara o Corinthians, o Santos ou o São Paulo da mesma forma que enfrenta um Capivariano ou um XV de Piracicaba.
Mesmo que seja somente para iludir tanta gente.


Adriano Oliveira tem este Blog desde 2009, mas a paixão pelo futebol nasceu bem antes disso. É um apaixonado que vibra pelas 11 posições, mas sempre assume uma, pois jamais fica em cima do muro. Aos 43 anos, o futebol ainda o faz sentir a mesma coisa que ele sentia aos 10.

3 comentários:

ANDERSON Fernandes disse...

O Corinthians não se impôs em campo, respeitou demais o Palmeiras e a consequência foi a derrota, para um time que não teve e não tem esquema tático, mas mostrou mas vontade de vencer e foi recompensado por isso.

ANDERSON Fernandes disse...

O Corinthians não se impôs em campo, respeitou demais o Palmeiras e a consequência foi a derrota, para um time que não teve e não tem esquema tático, mas mostrou mas vontade de vencer e foi recompensado por isso.

Adriano Oliveira disse...

O Palmeiras tem mostrado mais vigor nos clássicos e mata-matas decisivos. A energia é maior, a vibração é maior. Diferentemente do Corinthians que, neste último dérbi, me pareceu bastante acomodado em campo e aceitou a proposta de jogo do time do Cuca.
O Palmeiras possui uma equipe limitada e inferior tecnicamente à do Corinthians, porém, como você mesmo apontou, teve mais disposição e vontade de vencer.