quinta-feira, 21 de abril de 2016

O JEITO TITE DE JOGAR FUTEBOL

*por Adriano Oliveira

Existem várias maneiras de se jogar futebol.
Com toque de bola. Compacto. Envolvente. Das bolas aéreas. Do chutão pra frente em busca do centroavante. De estilo copeiro. De garra ou de talento. De ataque ou de defesa.
E nem sempre o time vitorioso é o que apresenta o melhor ou o jeito mais vistoso de jogar.
Um time pode ser vencedor sem necessariamente jogar o futebol mais bonito.

(foto: agenciacorinthians.com.br)

Tite sabe disso. Seu time pode não brilhar dentro de campo, pode não "encher os olhos" de quem o assiste, mas é eficiente. E tem um jeito de jogar. Existe um conceito e um padrão definidos, assimilados por todos os jogadores.
O Corinthians de Tite não muda sua maneira de atuar. Seja diante do Cerro Porteño ou do Cobresal, do Palmeiras ou do XV de Piracicaba, com os titulares ou com os reservas, dentro ou fora de casa. Mesmo em situações adversas, sob pressão do adversário ou até nas derrotas, a forma de jogar permanece inalterada e seguida à risca pelos comandados de Tite.
Jogando feio ou bonito, goleando por 6 x 0 ou administrando o empate de 1 x 1, lá está o treinador ensandecido na beira do gramado gritando pela organização da equipe.
O jogo idealizado por Tite é pragmático: o cão de guarda que protege a defesa carrega a bola esperando pelas investidas dos laterais. No meio, há sempre dois jogadores para receber o passe que vem da lateral e que se deslocam em movimentos coordenados até encontrar espaço para deixar o atacante em condição de finalizar. Não há espaços entre defesa, meio e ataque. Um esquema tático até manjado, porém repetido pacientemente durante a partida. De marcação cerrada, a bola rapidamente é recuperada quando perdida. E, se for preciso, as faltas se tornam recursos constantes para não deixar o adversário jogar, tampouco criar.
Sob o comando de Tite, os jogadores são solidários, privilegiam o conjunto e a posse de bola.
Não há vaidades, nem estrelismos. Seu time não depende de lampejos de inspiração de um ou outro talento individual. E cada jogador sabe exatamente o que fazer dentro de campo, com ou sem a bola.
Tite está bem acima dos demais técnicos do futebol brasileiro no sentido de "treinar" e conhecer de fato o que tem em mãos. Mais que isso, Tite tem "seu time nas mãos". Além dos atletas e dirigentes, o corintiano acredita "fielmente" no que ele fala e faz como sendo realmente o mais importante para o clube e para a equipe. Mesmo naquela escalação ou substituição duvidosa, para o torcedor "o Tite sabe o que faz".
Tite é um estudioso e busca conhecer seus adversários. Se fosse técnico da brilhante seleção de 1982, muito provavelmente o Brasil não jogaria aquele futebol bonito que encantou o planeta. Por outro lado, certamente o time de Falcão, Zico e Sócrates não seria eliminado pela Itália no histórico "desastre de Sarriá". Porque bastava um empate e Tite não arriscaria jogar de forma tão ofensiva e ao mesmo tempo tão vulnerável como Telê Santana jogou. Mesmo que para isso fosse necessário colocar um ônibus na frente da zaga e garantir um simples 0 x 0. Tite estudaria antes todas as possibilidades da seleção italiana, composta por grandes nomes do futebol da época, como Gentile, Cabrini, Bruno Conti e, principalmente, o carrasco Paolo Rossi. O Brasil de Telê ficou cego pela arrogância de praticar o futebol-arte a ponto de não se importar com o forte time italiano, que acabou sendo campeão daquela Copa.
Na atual temporada, o Corinthians perdeu jogadores importantes do time campeão brasileiro de 2015. O elenco teve de ser reformulado às pressas e, ao contrário de outros treinadores, Tite não bradou aos quatro cantos a perda de peças consideradas indispensáveis. O resultado veio dentro de campo: seu time fez a melhor campanha do Campeonato Paulista e foi o líder inquestionável de seu grupo na Copa Libertadores, classificado às oitavas-de-final com uma rodada de antecedência. E não, a "culpa" disso tudo não é da arbitragem. O juiz de futebol não é tendencioso, até porque isso exige astúcia e inteligência. Os árbitros, em sua maioria, são apenas ruins, amadores e erram para todos os lados.
Existem várias maneiras de se jogar futebol. E goste-se ou não da filosofia ou das fórmulas usadas por Tite, uma coisa é certa e inegável: o Corinthians é um time muito bem treinado. Mesmo que isso incomode tanta gente.

(foto: Daniel Augusto Jr/Ag.Corinthians)


Adriano Oliveira tem este Blog desde 2009, mas a paixão pelo futebol nasceu bem antes disso. É um apaixonado que vibra pelas 11 posições, mas sempre assume uma, pois jamais fica em cima do muro. Aos 43 anos, o futebol ainda o faz sentir a mesma coisa que ele sentia aos 10.

2 comentários:

ANDERSON Fernandes disse...

Eu como Corintiano e acredito que como toda a nação Corintiana tem o Tite como um ídolo, hoje nosso maior medo é de perder nosso grande treinador, não sei até quando seu trabalho no Corinthians vai durar pq aqui no Brasil o primeiro a cair é o técnico quando a coisa começa a sair do eixo, mas acho que Tite pode ficar por um bom tempo ainda pq já tem o respeito da torcida e vejo ele como o único técnico brasileiro que pode salvar nossa seleção, mas torço para que a CBF abra sua mente e abra as portas para os técnicos estrangeiros, assim todos nos ficamos felizes!

Adriano Oliveira disse...

Tem corintiano que gostaria de um contrato vitalício do Tite com o clube. Mas exageros a parte, ele é disparado hoje o técnico que mais dá resultados no futebol brasileiro. E possui um padrão de jogo muito bem definido e assimilado por todos os jogadores. Goste-se ou não, é um conceito que funciona. E muito bem.