quinta-feira, 10 de julho de 2014

7 x 1 QUE ABSOLVEU O MARACANAZZO


"No Brasil, a maior pena é de trinta anos, por homicídio. Eu já cumpri mais de quarenta anos de punição por um erro que não cometi." (Barbosa, goleiro da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1950, falecido em abril de 2000, aos 79 anos).

Pena? Frustração? Revolta? Vergonha?
Como definir algum tipo de sentimento?
Até mesmo o torcedor vira-lata, que sempre acha o brasileiro inferior ao estrangeiro, não entendeu bem o que aconteceu.
Inexplicável. Indescritível. Inimaginável. Eu diria até mesmo surreal.
Vontade de chorar. E vontade de rir logo em seguida. De fazer piada, já que não há sentimento. Nem do torcedor e nem dos jogadores. Não teve mais Copa após o apito inicial do árbitro mexicano Marco Antonio Rodríguez. Não teve mais nada.
De uma maneira geral, nenhuma seleção foi brilhante nessa Copa. Não havia uma equipe tão acima das outras. O Mundial disputado no Brasil não teve um time a ser batido.
Por outro lado, nenhuma outra seleção se abdicou tanto de jogar como fez o Brasil contra a Alemanha, no momento mais importante, quando só faltava fazer a curva e entrar na reta final para a bandeirada.
Agora finalmente existe um time a ser batido, mesmo que só tenha mais um jogo. No caso, "o jogo". E também há um time batido e abatido de forma implacável, sem pena nem piedade. Mas futebol é isso. Uma vez que fazer gols é a melhor forma de respeito ao adversário.
Como eu disse desde o começo do torneio (http://almanakfc.blogspot.com.br/2014/06/e-se-neymar-fosse-argentino.html), com Neymar as chances de o Brasil ser campeão eram de 70%. Sem o craque, as chances se reduziriam para algo em torno de 20%. Me enganei. Depois do Mineirazzo, ficou claro que as chances sem Neymar simplesmente não existiam. Aliás, o Brasil não fez questão de existir. Sabe-se lá por quê.
Como eu também disse, a Alemanha possui hoje uma equipe altamente competitiva, bem organizada em campo e com certa qualidade técnica, exatamente como sempre foi. Mas longe de exibir um futebol sublime durante a Copa, pelo contrário, teve enorme dificuldade para empatar com Gana ainda na etapa de grupos e só passou pela Argélia na prorrogação, já pelas oitavas-de-final. Por isso mesmo, nem eles, os próprios alemães, conseguem explicar a real dimensão do que aconteceu no massacre por 7 x 1 sobre os brasileiros em plena semi-final. E jogando no Brasil. Talvez uma catarse coletiva movida por alguma espécie de transe, ao melhor estilo “bumba-meu-boi”. Mas qualquer um sabe, principalmente eles, que poderia ser pior. Sim, porque os frios alemães decidiram parar de jogar no 2º tempo. Passaram a régua antes do 8º gol.
Mas afinal era ou não era uma partida semi-final de Copa do Mundo? Parecia mais um jogo de rua, de campinho, no pátio da escola na hora do intervalo, um típico “vira 5 acaba 10” com requintes de crueldade e momentos de comédia pastelão. Ou aquele chute ao gol do meia Oscar, do lado esquerdo quase na pequena área, que fez a bola atravessar de um lado para o outro e sair pela lateral não foi motivo de dar risada? (e olha que a partida já estava 6 x 0 para a Alemanha).
Por mais que tentassem dessa vez, nem Thiago Silva nem Julio César conseguiriam chorar. Seriam ainda mais vaiados e mais vergonhoso para uma nação que, mesmo sem o seu principal jogador, resolveu acreditar que era possível.
Uma coisa é certa: não dá para ficar triste. Não dá para sentir nada.
De bom fica somente a absolvição do ex-goleiro Barbosa, vítima cruel e quase eterna do Maracanazzo de 1950. Barbosa sofreu o restante de sua vida como o único brasileiro culpado por causa de um lance daquela fatídica final de Copa contra o Uruguai que decretou sua pena perpétua, uma suposta falha na derrota por 2 x 1 diante de quase 200 mil espectadores no Maracanã.
O que se tornou essa partida perante a vexatória goleada por 7 x 1 para a Alemanha na tragédia do Mineirazzo?
Barbosa, descanse em paz. Finalmente.

2 comentários:

Maria Silva disse...

A justiça tarda, mas não falha.

Adriano Oliveira disse...

Pena Barbosa não estar vivo para sentir-se mais aliviado.