domingo, 17 de agosto de 2014

A COLETIVA EM MAIS UMA NOITE DE ELIMINAÇÃO

Fim de jogo. Pela terceira vez seguida nos últimos oito meses, o time acabara de ser eliminado de um torneio de mata-mata, em mais uma noite fria e tensa de quarta-feira. E pela terceira vez dentro de casa, diante de sua torcida e novamente para um time do interior paulista. Ponte Preta em 2013. Penapolense e Bragantino em 2014. Este último o 18º colocado na 2ª Divisão do Campeonato Brasileiro. Depois de um tempo, lá vem ele para a hipotética entrevista coletiva da qual faço parte. Me posiciono num lugar estratégico no meio de tanta gente ávida por uma declaração bombástica que possa estampar as capas dos jornais na manhã seguinte. Será que ele pediria demissão? Muito pouco provável. Ele tem um nome a zelar dentro do clube, não pode sair por baixo como saíram todos os seus antecessores desde a sua última passagem por ali há cerca de cinco anos.
Senta-se. Cara de poucos amigos. Abaixa a aba do boné até quase a metade do rosto. Cruza os braços. Sisudo, olha fixamente para os entrevistadores na sala, sem mexer o corpo colado na bancada. Apenas os olhos se movimentam na direção de cada um. Uma voz anuncia o início da coletiva.
As perguntas começam a ser feitas e a prioridade é atender aos veículos que estão mostrando a entrevista ao vivo no rádio e na televisão.
Enquanto isso, fico revisando as perguntas que preparei. Preciso escolher duas ou no máximo três das nove que estão no meu bloco de notas. São essas:
1) Existe alguma resistência em trabalhar com as categorias de base ou o CT de Cotia, tão bem estruturado, tem dificuldade para revelar jogadores? Se existe, qual é o motivo dessa resistência?
2) Fazer críticas públicas ao elenco ou direcionadas à alguns jogadores é algum tipo de técnica motivacional?
3) Por que, nas últimas temporadas, os times treinados pelo senhor apresentam "decréscimo de resultados" no decorrer das competições?
4) O senhor concorda que se o Milan tivesse um elenco com Rogério Ceni, Álvaro Pereira, Ganso, Alexandre Pato, Kaká, Alan Kardec e Luis Fabiano seria idolatrado aqui no Brasil?
5) Por que então esse time não consegue engrenar, mesmo com a chegada dos reforços solicitados? Esse time não "pode mais"?
6) Por que a constante preocupação em não levar gols, mesmo dentro de casa, se o time possui um ataque que pode ser bem mais criativo e fazer mais gols do que levar?
7) Contra Ponte Preta e Bragantino, o time treinado pelo senhor perdeu em casa, de virada e pelo mesmo placar, 3 x 1. Por que a queda de produção durante jogos decisivos e contra times considerados pequenos?
8) Por que tamanha falta de confiança a um time grande e com elenco acima da média?
9) Creditar sempre o favoritismo ao adversário não abala a "auto-estima" do grupo, principalmente antes de partidas importantes?
De repente, por causa de uma pergunta questionando o esquema tático de sua equipe no jogo, ele se levanta rapidamente e sai da sala, irritado com o autor da questão. É o fim da coletiva.
Eu não tive tempo de sequer fazer uma pergunta. Mas certamente terei outras oportunidades em outras noites de quarta-feira ou domingo. A maioria dos torcedores ainda quer que ele fique onde está.

2 comentários:

Maria Silva disse...

Acabou de acabar o questionamento em evidência, o torcedor esqueceu com essa vitória de hoje.

Adriano Oliveira disse...

Torcedor tem dessas coisas. É sazonal, quase passional. Se perdoa tudo quando se ganha um clássico, mesmo diante de um futebol imperdoável praticado. Pelo menos até o próximo revés.