terça-feira, 5 de agosto de 2014

LIBERTADORES 2014: PARA EXORCIZAR O PASSADO OU SER ELEVADA AOS CÉUS


Houve um tempo em que a Copa Libertadores da América era o Olimpo do futebol sul-americano, uma conquista quase inatingível para os times considerados normais.
Aos menos favorecidos, restava a participação honrosa e a esperança de não fazer feio no torneio de clubes mais difícil do mundo, a panela de pressão efervescente da catimba e da rivalidade, do suor e da técnica.
Mas hoje as coisas mudaram e o bicho-papão da Libertadores já não amedronta tanto.
Aquele torcedor que temeu um dia morrer sem jamais ver seu time campeão já teve esse gosto tão especial, tão duradouro, virou gente grande no continente e ganhou passaporte.
Em 13 de agosto, o estádio argentino Nuevo Gasômetro mostrará o mais novo e inédito campeão da América integrante do seleto grupo dos times normais.
De um lado, um time paraguaio que ficou 63 anos sem levantar um troféu e que sofreu três rebaixamentos. Que viu sua torcida diminuir de tamanho por consequência de um clube que se apequenava a cada temporada. Que só voltou a ser vencedor em 2009. É o Nacional, mas o do Paraguai, o primo pobre do Nacional de Montevidéu, do Uruguai, este sim bem mais famoso. Essa será a oitava vez em que um time paraguaio chega à final de uma Libertadores. As outras sete vezes foram com o Olímpia. E quem diria, o Nacional desbancou e chegou à uma final antes de um compatriota bem mais conhecido, o Cerro Porteño.

Do outro lado, a quinta ou a sexta força do futebol argentino. Porém, de ilustre torcedor. Na verdade, de um santo torcedor. É o San Lorenzo, um time bem mais consciente de sua "normalidade". Nada copeiro. Nada favorito. Todos os outros rivais argentinos já conquistaram a Libertadores. Até o Argentinos Juniors. Menos o time de Francisco, o papa. A equipe do técnico Edgardo Bauza alternou boas e más partidas desde o início da etapa de grupos, passou para os mata-matas literalmente "por milagre" e adquiriu a confiança de que precisava ao desbancar nada menos que Grêmio e Cruzeiro, este último o grande favorito na competição. Prova de que na Libertadores não há ateus. Pelo menos não nas arquibancadas e na disputa por pênaltis.
Assim como aconteceu com Corinthians e Atlético-MG nas duas últimas edições, a Copa Libertadores de 2014 será colocada em uma galeria nunca antes adentrada.
Para exorcizar o passado ou ser elevada aos céus.

2 comentários:

Maria Silva disse...

Depois dos gambás terem ganhado, a Libertadores perdeu a sua essência. Qualquer pode ganhar.

Adriano Oliveira disse...

Perdeu a graça e a essência. Mas acabaria acontecendo. Até estádio agora eles têm.