domingo, 2 de agosto de 2015

OS PECADOS CAPITAIS DO FUTEBOL

*por Priscila Ruiz

Vamos chegando ao mês de agosto e confesso que aumenta a ansiedade pelo início da nova temporada europeia. Contudo, deste lado do mundo, a bola não para de rolar e assunto é o que não falta.


Nesta semana, eu não poderia deixar de falar sobre o meu São Paulo e também do primeiro duelo da final da Libertadores. Os jogos foram concomitantes e esta que vos escreve teve que se desdobrar, o que não foi grande esforço, afinal, independente de resultado, foram partidas muito interessantes para analisar.

Sabemos que ir pra cima do adversário como se não houvesse amanhã na final de qualquer campeonato é letal, especialmente na Libertadores. O que vi foi que Tigres e River, mesmo demonstrando muita iniciativa, se respeitaram demais para, de fato, termos elementos para apontar quem poderá ficar com a taça.
O Tigres não conseguiu traduzir a superioridade em gols, o que cá entre nós foi muito melhor para os Millionarios que decidem em casa com o imenso apoio da torcida no Monumental. Por falar em torcida, há de se reconhecer a linda festa dos mexicanos.
Ainda assim, o River Plate não se intimidou e como sempre, foi muito voluntarioso e faltoso, principalmente em Gignac e Sóbis que foram as vítimas da vez.
O meio campo estava visivelmente lotado, por isso, o River abusou da ligação direta com o intuito de se aproveitar da movimentação de seus homens de frente. O goleiro do Tigres, Guzmán estava inspirado e frustrou as investidas argentinas.
A marca da partida foi o excesso de faltas, o que tornou o jogo chato, mas em momento nenhum se perdeu o espírito raçudo a la Libertadores. Na reta final, o Tigres tentou se impor e teve os seus melhores momentos. Pouco para um time que decidirá um campeonato fora de casa. Exatamente como foi entre Inter e Tigres, em minha opinião, nada está decidido. River joga em casa e certamente será muito ofensivo. Porém, não tem como duvidar dos felinos. A sorte foi lançada.


Se tem algo que incomoda alguém tão analítica como eu, é não ter elementos suficientes para chegar à uma conclusão. Pois é, sim, estou falando do time do São Paulo. E não estou falando de má gestão, porque isso é mais do mesmo. Estou me referindo à equipe em campo que, aos meus olhos, continua uma incógnita.
É louvável a postura do time em sair para o jogo com a marcação adiantada, desarmando o adversário e tocando a bola com velocidade para chegar fácil ao ataque. O que coloco em xeque aí é justamente a forma como é feito, porque tenho a impressão de que há uma grande confusão conceitual na cabeça dos jogadores em diferenciar pressão e empolgação.
Não se pode simplesmente sair para o jogo sem posicionar muito bem a defesa, ainda mais quando esta é tecnicamente muito fraca. Rodrigo Caio e Tolói tentaram avançar e entregaram dois gols aos atleticanos justamente quando o São Paulo dominava a partida. Aí não há inteligência emocional de time algum que aguente o tranco.
Outro ponto é quanto ao posicionamento de Michel Bastos visivelmente mais recuado com Ganso à frente. O cara que bate melhor na bola não pode ficar plantado como volante. E Ganso, muito próximo de Luis Fabiano também não funciona.
Sejamos honestos, não adianta detonar só a defesa, se o ataque perde uma infinidade de oportunidades claras de fazer o resultado. Ou seja, o time comete erros cruciais nos setores em que o bom é inimigo do ótimo e ponto.
Sinto muita falta de regularidade no Tricolor e por que não há? Porque o São Paulo ainda não tem as peças certas para se tornar uma equipe coletiva. O trabalho de Osório demandará tempo e só este nos mostrará se a torcida está certa ou não.
O que é certo, parafraseando algo que li, é que a derrota do São Paulo não foi justa. Mas a vitória do Galo foi.
E são esses tantos contrapontos, clichês, erros e acertos, defeitos e virtudes que fazem o futebol. Simples assim. Porque o futebol, muitas vezes, tem que ser simples, sim!

Um beijão e até a próxima...



* Priscila Ruiz é advogada, especializada em Segurança e Direitos Humanos. E para ela "la vida es aquello que sucede cuando no hay fútbol". Ou seja, sim, ela é loucamente apaixonada pelo esporte bretão. Contribui com o AL MANAK FC através de sua opinião inteligente e analítica

Um comentário:

Adriano Oliveira disse...

Concordo plenamente com sua visão precisa: o São Paulo abriu demais o jogo no Mineirão diante de um adversário que joga de forma rápida e envolvente. O ataque do time de Osório perdeu gols importantes que mudariam o panorama da partida e tal postura em campo expôs demais uma defesa limitada tecnicamente. O Atlético-MG, como sempre, foi letal nas investidas e selou a vitória ainda no 1º tempo. Em nome do futebol bem jogado, acredito que foi justa a vitória do time de Levir Culpi. O Atlético-MG é o time a ser batido neste Campeonato Brasileiro.
Mais um ótimo texto!